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RELAÇÃO ENTRE DIABETES E CATARATA

cataratas e diabetes
Dr. César Giral
Escrito por Dr. César Giral

O que é Catarata?

A visão ocorre quando os raios de luz são percebidos através da pupila e são focados na retina, um tecido constituído por células sensíveis à luz, localizado na parte interna posterior dos olhos. Nesta estimulação da retina pela luz, participam a córnea e o cristalino, sendo que este último atua como uma “lente” intraocular, a qual tem uma aparência natural transparente e clara, e permite focar a luz na retina e assim, formar uma imagem clara dos objetos que vemos. O termo Catarata refere-se à condição em que o Cristalino do olho torna-se total ou parcialmente opaco, o que impede a percepção nítida de imagens.

 

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Por que a Catarata se desenvolve?

O Cristalino é composto principalmente de água e proteínas. Sua transparência total e funcionamento como uma lente óptica se dá devido à natureza destas proteínas, à sua disposição em camadas e à ausência total de vasos sanguíneos. À medida que envelhecemos, a lente natural continua a formar camadas de proteína em sua superfície, o que faz com que o cristalino torne-se mais rígido e vá perdendo sua transparência. A catarata, associada ao envelhecimento, resulta em perda de acuidade e outras propriedades da função visual, como a sensibilidade ao contraste e a percepção das cores, o que compromete seriamente a qualidade de vida das pessoas.

A catarata é um grande problema de saúde pública relacionado à idade. Conforme a população mundial envelhece, aumentam os casos de deficiência visual e cegueira causadas pela catarata. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a Catarata é responsável ​​por 51% dos casos de cegueira em todo o mundo, afetando cerca de 20 milhões de pessoas até 2010, e estima-se que esse número será de 40 milhões até 2020. Felizmente, a catarata é uma condição de cegueira reversível e que pode ser tratada com sucesso através de cirurgia.

Classificação das Cataratas

De acordo com o agente causador e o diagnóstico e controle médico, as cataratas podem ser classificadas em quatro tipos: senis, congênitas, traumáticas e secundárias.

  • Catarata Senil:

Esta é a forma mais comum de catarata. Com a idade, normalmente ocorre um endurecimento do núcleo ou parte central do cristalino, levando à perda de sua transparência. É tipicamente manifestada pela perda lenta e progressiva da acuidade visual bilateral, após os 60 anos. São considerados fatores de risco para o desenvolvimento da catarata senil os antecedentes hereditários, a exposição à radiação ultravioleta (luz solar), o tabagismo e a nutrição pobre em antioxidantes. Não é considerada uma doença, mas um resultado natural do envelhecimento. Quando a opacidade do cristalino afeta o desenvolvimento normal e qualidade de vida de um indivíduo, a cirurgia de catarata é indicada como tratamento definitivo.

  • Catarata Congênita:

Este tipo de catarata pode ocorrer em recém-nascidos ou crianças. Ela pode ser hereditária ou associada a alguns defeitos de nascimento. E algumas ocorrem sem causa aparente (conhecidas como idiopáticas).

Este tipo de catarata não é comum, mas é responsável ​​por 3 em cada 10 casos de cegueira infantil. Pode afetar um ou ambos os olhos, e ainda resultar de infecções intrauterinas ou distúrbios metabólicos, entre outras causas. Podem ter tratamento cirúrgico precoce e requerer controles oftalmológicos para a vida toda. O prognóstico visual e reabilitação de crianças com catarata congênita geralmente é bom, se controlada e tratada a tempo.

  • Catarata Traumática:

Os traumas oculares são a principal causa de catarata em pessoas com menos de 60 anos e estão muitas vezes associados a outras lesões intraoculares que comprometem o prognóstico visual. O Cristalino pode tornar-se opaco quase imediatamente em caso de lesões que penetram no olho, ou meses ou anos após sofrer o trauma, em lesões mais superficiais.

  •  Catarata Secundária:

As cataratas secundárias se desenvolvem como resultado de ou em associação a outras doenças oculares ou sistêmicas. O tratamento cirúrgico e prognóstico visual dependem da gravidade da doença que originou esta condição e seu controle. Estre as cataratas secundárias estão aquelas relacionadas ao diabetes.

 

Por que as pessoas com diabetes tendem a desenvolver Catarata mais rapidamente?

Pessoas com diabetes desenvolvem catarata de 2-4 vezes mais rápido do que os não-diabéticos. Como o diabetes pode levar à formação de catarata? A resposta tem a ver com os níveis de açúcar no sangue.

O cristalino mantém a sua integridade metabólica ao receber os nutrientes do humor aquoso, o fluido que preenche a parte frontal dos olhos. No caso do diabetes não diagnosticado ou mal controlado, os níveis de glicose no humor aquoso aumentam e uma quantidade maior de moléculas de glicose passa para ao interior do cristalino. Esses altos níveis de glicose causam inflamação do cristalino, afetando a integridade das proteínas que o formam e modificando suas propriedades ópticas. Isto resulta em mudanças na acuidade visual, tornando a visão flutuante, o que não é corrigido pela utilização de lentes de correção convencionais. Ao longo do tempo, essas anormalidades metabólicas levam à perda da transparência natural do cristalino e a visão vai diminuindo progressivamente, podendo le var à cegueira.

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Como evitar o desenvolvimento de Catarata em uma pessoa com diabetes?

Se você tem diabetes, você deve seguir dois passos importantes para prevenir ou retardar a formação de catarata:

  1. Verifique e controle seus níveis de glicose no sangue. Lembre-se de que uma glicemia não controlada é a base de todas as complicações, agudas ou crônicas, do diabetes. Um nível de açúcar no sangue estável ajuda a manter seus olhos saudáveis, assim como seu coração, cérebro, rins e pés. O controle glicêmico diário é a chave para a prevenção de muitas complicações.
  2. Faça uma avaliação de seus olhos com um médico oftalmologista pelo menos uma vez por ano. Revisões mais frequentes podem ser necessárias, dependendo do controle do diabetes e das conclusões que o médico encontre em cada consulta. Se a formação de catarata é diagnosticada, o médico pode acompanhar e, juntamente com você, tomar a decisão de realizar a cirurgia de catarata.

Quais são as manifestações clínicas da catarata?

A Catarata reduz progressivamente a acuidade visual em um ou ambos os olhos. Existem sintomas que acompanham ou precedem a diminuição da visão, os quais você pode identificar:

  1. O Cristalino com opacidade deixa de ser uniforme em sua capacidade de enfoque. Isso traz como consequência um brilho intenso quando se está em lugares muito iluminados ou durante a noite, por exemplo, durante a condução de veículos.
  2. Ocorrem mudanças de densidade no cristalino que alteram a sua capacidade de refração. Podem ocorrer então fenômenos como a melhoria temporária da visão de perto, ou simplesmente as lentes convencionais deixam de ser úteis ou suficientes para a visão de perto ou de longe.
  3. Visão dupla, devido ao fato de que a catarata pode induzir à percepção de imagens diferentes em ambos os olhos.
  4. Visão de luzes artificiais com um halo ao redor, como se fosse visto através de um vidro sujo ou opaco.
  5. Podem não haver sintomas. O impacto da catarata na qualidade de vida de cada pessoa varia de acordo com suas necessidades visuais, por isso, provavelmente, uma catarata de características semelhantes terá maior impacto sobre um piloto de avião do que numa pessoa que pouco sai casa e tem uma atividade visual menos exigente.

Qual é o tratamento de Catarata?

Segundo a Associação Americana de Oftalmologia: “Se sua visão é apenas ligeiramente turva, uma mudança no grau de seus óculos pode ser tudo o que você precisa por algum tempo. No entanto, se depois de mudar seus óculos você ainda não vê o suficiente para fazer as atividades que você gosta ou precisa fazer, considere a cirurgia de catarata”. Sendo assim, o tratamento da catarata deve ser conservador e é preciso definir claramente o momento certo para fazer a cirurgia, o que varia de pessoa para pessoa.

O tratamento da catarata é cirúrgico. Uma vez que o processo de opacificação do cristalino se inicia, não há nenhum tratamento que possa revertê-lo ou impedi-lo. A cirurgia é a única opção de tratamento definitivo e a indicação deve considerar não apenas a acuidade visual objetiva do paciente, mas também as suas necessidades visuais para manter a sua qualidade de vida e a existência de outras doenças que possam interferir com o prognóstico visual pós-operatório. Em outras palavras, o momento certo para a cirurgia de catarata é quando a função visual não é suficiente para manter a qualidade de vida da pessoa. Obviamente, esta afirmação mostra que o conceito de qualidade de vida é fundamental para decidir quando operar. Não podemos tratar igual a condição de uma mulher de 70 anos ativa fisicamente em casa, e uma mulher de 70 anos que frequentemente usa um computador pessoal ou um smartphone, e, normalmente, dirige um carro. Também não é o mesmo uma pessoa com retinopatia diabética leve, e uma pessoa sem diabetes, mesmo que tenham uma atividade visual similar. Muitos fatores influenciam na escolha do momento da cirurgia da catarata. O seu oftalmologista deve discutir com você o procedimento cirúrgico de catarata, os processos de preparação e recuperação após a cirurgia, de acordo com a sua situação particular. Ele também deverá analisar os benefícios, as possíveis complicações e qualquer outra informação que seja importante para você e sobre as quais você tenha dúvidas.

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Sobre o autor

Dr. César Giral

Dr. César Giral

Cirurgião Oftalmologista, Defensor do Diabetes, Executivo de New Mídia e Entusiasta em Mídia Social. Como cirurgião profissional por mais de 20 anos, Cesar escreve seus artigos com um olho clínico e nos fornece informação profissional e atualizada sobre o diabetes.

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