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HIPOGLICEMIANTES ORAIS SÃO SEGUROS NA GRAVIDEZ?

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Dra. Sabrina Pozzobon

Geralmente, dieta e atividade física são as primeiras medidas para o controle do diabetes gestacional (DG). No entanto, 30% das mulheres com DG não consegue manter um controle adequado da glicose no sangue e por isso há a necessidade de intervenção farmacológica.

Pesquisas anteriores mostraram que hipoglicemiantes orais, tais como a Metformina e Glibenclamida, eram ineficazes para manter a glicose no sangue sob controle e foram considerados inseguros para o feto. Assim, a insulina foi a droga de escolha. No entanto, novas evidências têm mostrado que, com a melhora dos medicamentos hipoglicemiantes orais, esses medicamentos são eficazes e seguros durante a gravidez. Esta foi uma notícia maravilhosa, pois permite evitar injeções de insulina desconfortáveis e adicionalmente, caras em alguns países.

Hoje em dia, os agentes hipoglicemiantes orais são amplamente utilizados para tratar pacientes com diabetes tipo 2. Existem 4 grupos diferentes de medicamentos:

  • Os que produzem insulina.
  • Os que aumentam a sensibilidade à insulina.
  • Os que evitam a absorção intestinal de açúcares.
  • Os que possuem um efeito similar a substâncias secretadas pelo intestino, que estimulam a secreção de insulina.

Em relação ao tratamento do DG, os medicamentos mais usados ​​são Glibenclamida (que aumentam a produção de insulina) e Metformina (que aumenta a sensibilidade à insulina).

Até algum tempo atrás, pensava-se que os medicamentos hipoglicemiantes orais poderiam resultar em hipoglicemia em recém-nascidos e microssomia fetal (peso ao nascer acima de 4 kg) ou malformações congênitas. Sabe-se agora que estas condições são devidas ao diabetes gestacional descontrolado.

Evidências recentes indicam que, embora a insulina e os hipoglicemiantes sejam igualmente eficazes para controlar a glicose no sangue, medicamentos hipoglicemiantes, tais como Metformina e Glibenclamida não induzem a hipoglicemia neonatal ou anormalidades congênitas. Sendo assim, resultam em maior qualidade de vida para gestantes e seus bebês. Além disso, o tratamento é menos dispendioso que a administração de insulina.

Apesar de todos os benefícios associados ao uso de Metformina para o DG, estes medicamentos não foram aprovados para o tratamento de gestantes na maioria dos países, onde a insulina ainda é a primeira droga de escolha. A Metformina foi aprovada pela FDA (EUA) e supera o uso de Glibenclamida. Há evidências que sugerem que o uso de Metformina e insulina produzem melhores resultados do que a insulina por si só. Alguns países, incluindo o Reino Unido, estão usando Metformina como o agente de primeira linha para o tratamento do DG, deixando a insulina como uma segunda opção, a menos que o paciente apresente uma reação adversa à Metformina.

Como você pode ver, o progresso na medicina esta vindo em passos largos para melhorar o tratamento do diabetes gestacional. Nós da equipe DiabeTV recomendamos que você converse com o seu médico para manter o seu açúcar no sangue sob controle durante a gravidez, evitando assim complicações para você e o seu bebê.

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Sobre o autor

Dra. Sabrina Pozzobon

Dra. Sabrina Pozzobon

Médico Cirurgião, poliglota e amante inata de cultura, aventura e natureza. Com sua experiência como médica clínica geral, tem lidado de forma consistente com pacientes diabéticos em diferentes áreas de sua carreira. Sabrina nos presenteia com novos tópicos sobre diabetes a partir de uma visão médica, humana e familiar, projetando sua paixão em cada um dos seus artigos.

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