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DIABETES E CATARATA: QUAL É O TRATAMENTO?

catarata e diabetes
Dr. César Giral
Escrito por Dr. César Giral

A Catarata é um importante problema de saúde pública, o qual está relacionado com a idade e com doenças crônicas comuns, como diabetes. As pessoas com diabetes são 60% mais propensas a ter catarata do que alguém sem diabetes, e o controle glicêmico adequado é fundamental para retardar o desenvolvimento desta condição ocular. Tem sido demonstrado, por exemplo, que diminuir o valor da hemoglobina glicosilada A1c em 1% reduz o risco de cataratas em 19%.

A alteração da qualidade da visão de um indivíduo é o ponto decisivo para definir o momento de realizar o único tratamento eficaz conhecido até agora: a cirurgia de catarata. Se a sua qualidade de vida está sendo afetada pela má visão causada pela opacificação do cristalino, a tal ponto que você não pode realizar suas atividades diárias (o que você precisa e gosta de fazer), é hora de considerar o tratamento cirúrgico. Hoje, mais de 10 milhões de cirurgias de cataratas são realizadas a cada ano, em todo o mundo.

É importante ressaltar que não há nenhum tipo de tratamento médico convencional ou alternativo para reverter a catarata. As alterações bioquímicas que ocorrem nas proteínas do cristalino e que o fazem perder sua transparência e desempenho óptico são progressivas, e em um período imprevisível de meses ou anos, afetará a qualidade da visão. A boa notícia é que a cirurgia de catarata pode restaurar a visão de forma rápida e com uma alta probabilidade de sucesso.

Quem realiza a Cirurgia de Catarata?

O médico que realiza este procedimento cirúrgico é o Oftalmologista. Seu médico deverá discutir com você o procedimento, explicando-o em termos simples: como é o preparo para a cirurgia, em que consiste, como é o processo de recuperação, quais são os benefícios e possíveis complicações, entre outras coisas. Serão enfatizadas no caso de diabetes, a avaliação da retina (presença ou ausência de retinopatia diabética) e o rigoroso controle glicêmico tanto no pré-operatório quanto no pós-operatório, para evitar complicações.

O método mais comum usado para o tratamento (extração) da catarata é chamado de facoemulsificação de catarata.

Através de uma incisão na periferia da córneade 2,5 a 3 mm de comprimento, o médico oftalmologista introduz um instrumento que utiliza ultrassom de alta frequência, fragmentando o cristalino com a catarata em pequenas partes, as quais são simultaneamente aspiradas pelo equipamento de facoemulsificação. Uma vez feito isto, o cirurgião substitui o cristalino por uma lente intraocular que fornece ao indivíduo parte das funções ópticas do cristalino original. Em raras ocasiões, pode ser necessário fazer pontos na cirurgia.

tratamento para catarata nos olhos

Em geral, a cirurgia leva em tordo de 10 a 30 minutos e é realizada sob anestesia tópica, ou seja, gotas anestésicas, por isso não é necessário cobrir o olho após a intervenção, e o paciente já pode enxergar ao sair da sala de cirurgia. Nos casos em que a cirurgia é realizada somente com anestésico tópico, é necessária especial cooperação do paciente. Se isso não for possível, a anestesia periocular pode ser aplicada através de injeções de anestésicos ao redor do olho, a fim de bloquear movimentos oculares. Neste caso, o paciente deverá usar o olho coberto por 12 a 24 horas no pós-operatório.

Em pacientes com catarata bilateral, pode-se operar primeiro o olho mais afetado e de 1 a 4 semanas após, opera-se o segundo olho.

Por que o Cristalino com Catarata é substituído por uma Lente Intraocular?

Ao remover o cristalino que tornou-se opaco, uma estrutura chave para a função visual é perdida. Lembre-se do importante papel do cristalino como uma potente lente natural para focar a imagem na retina. A lente intraocular substitui de forma segura parte das funções ópticas do cristalino. A maioria destas lentes são produzias com materiais inertes, sem risco de rejeição por parte de nosso organismo, e para sua seleção são feitos cálculos matemáticos que permitem escolher o modelo mais adequado para garantir a melhor visão possível em cada olho.

cirurgia catarata

Qual melhor opção de Lente Intraocular para você?

Qual a melhor, se você tem Diabetes?

Selecionar o tipo de lente intraocular deve ser uma decisão tomada juntamente com cada paciente. Você e seu médico devem comparar as opções e ter em mente as vantagens e desvantagens, com base em sua condição médica e em suas expectativas visuais com a cirurgia. Não há uma lente intraocular perfeita para todos. Inclusive, não há garantia de 100% de que com qualquer uma delas você não precise colocar lentes corretivas adicionais para determinadas distâncias. Existem diferentes tipos de lentes intraoculares e entre os mais comuns estão as monofocais, multifocais e lentes tóricas. Cada uma delas têm a sua indicação, e definir qual delas é a mais adequada para o seu caso particular, é um assunto para discutir com o seu médico oftalmologista. A presença do diabetes influencia na tomada de decisão ao escolher o tipo de lente intraocular, pois fatores como o tempo de evolução do diabetes e a presença de retinopatia diabética podem complicar o prognóstico visual. Não há nenhuma lente intraocular “especial” para as pessoas com diabetes.

Os Riscos da Cirurgia de Catarata

Todos os tipos de cirurgia têm algum risco. Os resultados da cirurgia de catarata são, hoje em dia, excelentes, e a recuperação visual geralmente é rápida e satisfatória, permitindo que o paciente volte a ter prazer em sua vida diária com melhor qualidade visual, dentro de algumas semanas. Estatísticas mostram que, em média, de 2-3 de cada 100 pessoas podem ter complicações intra ou pós-operatórias, o que, na maioria dos casos, são resolvidas de forma satisfatória. Inovações contínuas em técnicas e instrumentação fazem com que as cirurgias de catarata sejam cada vez mais seguras.

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Sobre o autor

Dr. César Giral

Dr. César Giral

Cirurgião Oftalmologista, Defensor do Diabetes, Executivo de New Mídia e Entusiasta em Mídia Social. Como cirurgião profissional por mais de 20 anos, Cesar escreve seus artigos com um olho clínico e nos fornece informação profissional e atualizada sobre o diabetes.

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