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CIENTISTAS PERPLEXOS COM A ASCENSÃO DA DOENÇA CELÍACA

sensibilidade ao gluten
Diane Kress
Escrito por Diane Kress

Cientistas Perplexos com a Ascensão da Doença Celíaca… Glúten Free, Alguém aí? – Opinião da Nutri Diane Kress

doenca celiaca

– A Ascensão da Doença Celíaca Deixa Cientistas Perplexos –

Artigo da Time Magazine: 27 de outubro de 2014

Dois estudos publicados no New England Journal of Medicine abalaram o mundo da pesquisa celíaca, ambos provando que cientistas precisam percorrer vários caminhos para a compreensão da doença celíaca ou Enteropatia por Glúten.

Um estudo italiano questionou a idade com que deve ser introduzido o glúten na dieta das pessoas e a probabilidade em desenvolver a doença auto-imune. Por isso, mantiveram recém nascidos afastados do glúten por um ano e para a surpresa dos pesquisadores, atrasando a exposição ao mesmo não houve diferença alguma em longo prazo. Em alguns casos, atrasou o início da doença, mas não impediu que essas crianças viessem a desenvolver esta condição para a qual não há cura.

O segundo estudo foi realizado com 1.000 crianças, no qual introduziu-se pequenas quantidades de glúten na dieta de bebês lactentes para ver se promoviam tolerância ao glúten naqueles que eram geneticamente predispostos à doença celíaca. Mais uma vez não tiveram sorte. Ambos estudos foram concebidos e executados de forma exemplar, disse Joseph A. Murray, MD, professor de Medicina e Gatroentorologista da Clínica Mayo em Rochester. Cada uma das pesquisas foi “um fracasso espetacular”.

O que há no glúten que faz com que tantas pessoas dobrem-se de dor? Como poderia um ato tão antigo de repartir o pão ser tão problemático para alguns?

Estas são questões que pesquisadores estão tentando responder. “Eu acho que a doença Celíaca é uma questão de saúde pública”, disse Murray. Ele pesquisa a proteína do pão por mais de 20 anos e tem visto a incidência da doença aumentar de forma drástica. A doença celíaca é quatro vezes mais comum do que a 50 anos atrás, de acordo com a sua pesquisa publicada na revista Gastroenterology.

Mesmo que os métodos de sensibilização e testes tenham melhorado drasticamente, eles não podem por si só serem responsáveis pelo aumento, diz ele.

Cerca de 1% dos americanos têm a doença celíaca e é especialmente comum entre os caucasianos. Há um forte componente genético, mas ainda não está claro por que algumas pessoas desenvolvem intolerância e outras pessoas não. A doença Celíaca afeta pessoas de todas as idades e mesmo aquelas que consumiram trigo por décadas. E não podemos culpar o aumento no consumo; dados da USDA (Departamento da Agricultura dos Estados Unidos) mostram que não estamos comendo maiores quantidades deste componete.

Outras coisas no ambiente devem ser os culpados e as teorias giram sobre possíveis fatores que abrangem cesáreas, uso excessivo de antibióticos e a hipótese da higiene, a qual sugere que, como o nosso meio ambiente tornou-se mais limpo, o nosso sistema imunológico trabalha menos e virou-se contra si mesmo e contra alimentos como o glúten como uma forma de “distração”

Ou talvez haja algo diferente sobre o glúten em si. A semente de trigo não mudou tanto assim, mas a forma como processamos e preparamos produtos com glúten sim, disse Murray. “Foram realizados alguns pequenos estudos observando as velhas formas de panificação… os quais sugeriram não eram tão imunogênicas, não conduzindo a uma resposta imune tão fortemente quanto os grãos modernos ou os pães preparados hoje em dia”, disse Murray.

Um pequeno estudo de 2007 descobriu que o pão caseiro, quando fermentado com bactérias, quase eliminava o glúten – mas precisamos pesquisar mais a respeito antes que pessoas alérgicas realmente possam comer uma fatia de pão caseiro.

Dr. Alessio Fasano, MD, diretor do Centro de Pesquisa Celíaca e chefe da divisão de Gastroenterologia Pediátrica e Nutrição do Mass General Hospital for Children, foi um co-autor desse estudo recente sobre a amamentação e introdução ao glúten. Ele disse que o resultado desse estudo revelou-se “com grandes resultados, imprevisíveis e chocantes”. “A lição aprendida a partir desses estudos é de que há algo diferente no ambiente além do glúten, que eventualmente leva essas pessoas a passarem de tolerantes à uma resposta imune ao glúten, desenvolvendo a doença celíaca “disse ele.

Ele suspeita da vida moderna, dieta hiper-processada e na forma como tem influenciado a composição de nossas bactérias intestinais. “Estas bactérias alimentam-se do que nós comemos” disse Fasano. “Nós mudamos o nosso estilo de vida drasticamente, especialmente na maneira como comemos, rápido demais para os nossos genes se adaptarem.” Fasano espera explorar o microbioma em seu próximo estudo, no qual ele diz que vai acompanhar as crianças desde o nascimento e procurar por uma assinatura no DNA que possa prever a ativação dos genes de glúten-avesso, o que leva uma criança a desenvolver a doença celíaca. A esperança, então, é que haja a intervenção pró-biótico ou pré-biótico que transforme o intestino problemático em uma forma “amigável” novamente.

“Isso seria o Santo Graal da medicina preventiva”, diz ele.

Resposta da Diane Kress:

O glúten é uma proteína encontrada no trigo, centeio e cevada. Houve um aumento acentuado na incidência da doença celíaca (também conhecida como Enteropatia por Glúten). É importante confirmar se você tem realmente a doença celíaca, alergia ao trigo ou sensibilidade ao glúten não-celíaco.

Sensibilidade ao Glúten Não Celíaca

Muitas pessoas evitam o glúten, mas nem todas essas pessoas têm a doença celíaca (Enteropatia por Glúten). Embora suponham ter a doença e eliminarem o trigo, o centeio e a cevada, a ingestão destes grãos não faz com que seu organismo vire-se contra ele mesmo ou afete o trato gastrointestinal.

Os sintomas da Sensibilidade ao Glúten Não Celíaca são similares aos da doença celíaca, mas eles não produzem anticorpos ao glúten. A resposta no corpo não é direcionada para a autodestruição do tecido e não provoca uma resposta auto-imune. Eles não desenvolvem danos intestinais devido ao consumo de glúten.

Seus sintomas muitas vezes NÃO são no trato gastrointestinal, eles incluem dor de cabeça, mente nebulosa, tonturas, dor nas articulações, e dormência nas extremidades. Eles também podem experimentar um pouco de gazes e inchaço, mas os principais sintomas não são no trato gastrointestinal.

Isto NÃO é doença celíaca…isto é sensibilidade ao glúten. Se estes indivíduos introduzirem uma pequena quantidade de trigo em um determinado momento, não sentirão nada ou apenas sintomas leves. Se vierem a sofrer uma “overdose de trigo”, com uma pizza, um pretzel macio, um pastel folhado ou massas… talvez venham a sentir-se desconfortáveis horas ou dias após o consumo de trigo. Assim, para sentirem-se melhores, devem minimizar o consumo desses grãos.

Nesta condição de sensibilidade ao glúten não celíaca não há uma resposta auto-imune, não há aumento da incidência de doença auto-imune, nem aumento da permeabilidade dos intestinos. Sensibilidade ao Glúten Não-celíaca NÃO é alergia ao trigo.

Aqueles com alergia ao trigo irão testar positivos para um teste de pele após a ingestão de trigo e sua dosagem de IgE irá subir. Indivíduos com teste negativo para uma alergia ao trigo, mas apresentam sintomas relacionados, talvez tenham sensibilidade ao glúten não celíaca.

Doença celíaca (Enteropatia por Glúten)

A doença celíaca É uma doença auto-imune digestiva. Quando o glúten é ingerido, o processo da doença causa danos às vilosidades do intestino delgado e interfere com a absorção de nutrientes dos alimentos. O corpo “ataca” a si mesmo toda vez que o indivíduo consome trigo, cevada ou centeio.

Um dos fatores prejudiciais da doença Celíaca é o aumento da permeabilidade intestinal que permite que as toxinas, bactérias e proteínas não digeridas entrem no trato gastrointestinal e na circulação sanguínea. Pesquisas recentes apontam para esta permeabilidade dos intestinos, permitindo que as toxinas, bactérias e proteínas não digeridas sejam liberadas na corrente sanguínea e possam conduzir a outras doenças auto-imunes.

Se não tratada, a doença Celíaca pode levar a outras doenças auto-imunes (artrite, reumatóide, diabetes tipo 1, lúpus, doenças da tireóide), desnutrição, osteoporose e câncer.

Tratamento para a Doença Celíaca (Enteropatia por Glúten)

O único tratamento para a doença Celíaca é seguir uma dieta rigorosa sem glúten por toda a vida. Esta é uma dieta com a ausência de trigo, cevada e centeio (e isto inclui evitar espelta, triticale e Khorasan).

Aqui estão algumas alternativas sem glúten para estes grãos 

Arroz integral, quinoa, farinha de milho, amido de milho, goma de guar, amaranto, tapioca, farinha de batata, amido de batata. Farinha de amêndoas, farinha de soja, goma xantana e lentilhas.

Algumas fontes ocultas de glúten

Semolina, espelta, durum, malte.

Testes para a doença Celíaca

Se você apresenta sintomas de doença Celíaca, não assuma que você tem. Você precisa de um diagnóstico. Há uma grande diferença entre sensibilidade ao glúten não celíaca e Enteropatia por Glúten. O primeiro não leva a outras doenças auto-imunes e não danifica o trato gastrointestinal. A doença celíaca é uma doença auto-imune e irá danificar o trato gastrointestinal e pode levar a outros problemas de saúde, caso uma dieta sem glúten não seja adotada por toda a vida.

Os exames de sangue recomendados para determinar a doença Celíaca incluem:

Total de IgA, IgA-tTG, IgA-EMA, IgG-AGA

É muito importante que você NÃO mude a sua dieta antes de fazer o teste para a doença Celíaca. Seguir uma dieta sem a ingestão de glúten antes do teste pode impedir o diagnóstico. Se você se encontra em uma dieta sem glúten, o seu médico fará um “desafio de glúten” antes do exame de sangue. Se você testar positivo, é possível que o seu médico recomende uma biópsia do intestino para confirmar o diagnóstico.

Por que eu acho que há um surto de Doença Celíaca

Tal como acontece com qualquer doença auto-imune, o potencial para o desenvolvimento da doença é geneticamente mediada (você pode ter a predisposição genética para a artrite reumatóide, mas nunca desenvolver a doença). Parece que a tempestade perfeita dos genes para a doença auto-imune e determinados fatores de estresse ambientais devem ocorrer para disparar o gene e permitir que a doença auto-imune venha a se desenvolver.

Alguns estressores ambientais: excesso de peso, falta de atividade física, aditivos alimentares, ingestão elevada de carboidratos, estresse, doenças, dor crônica e certos medicamentos.

Estou direcionada à ideia de que, uma das razões para o ressurgimento da doença celíaca tem a ver com o que fazemos com o trigo. O consumo de transgênicos provavelmente tem a ver com o desencadeamento desta doença.

Nós também interferimos no trigo natural para fazer farinha refinada (germe e farelo removido para fazer farinha branca) e branqueamento da farinha refinada com um agente clareador.

Um agente de branqueamento afeta o desenvolvimento do glúten. Um agente de maturação pode fortalecer ou enfraquecer o desenvolvimento do glúten.

Bromato de potássio (agente fortalecedor do glúten, mas não branqueia).

Peróxido de benzoíla (É um clareador, mas não amadurece ou afeta a força do glúten)

O ácido ascórbico (É um agente fortalecedor do glúten, mas não branqueia)

Gás de cloro (agente de amadurecimento, enfraquece o glúten, branqueador)

Não há indicação de qual método era usado para branquear ou amadurecer o grão / farinha, mas voltando no tempo, NENHUM destes processos era usado na panificação e em outros produtos.

A indústria de alimentos tem brincado com a Mãe Natureza. Aditivos, conservantes, transgênicos, processamento de alimentos, enfim tudo com o objetivo de fazer mais dinheiro atingindo uma vida útil mais longa, “melhor aparência”, mas para quê? O corpo humano não foi projetado para aceitar este combustível barato e agora, passados tantos anos, estamos começando a ver os danos que os alimentos processados, alterados, modificados, com conservantes, podem fazer com a nossa saúde.

 

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Sobre o autor

Diane Kress

Diane Kress

Autora renomada do New York Times “Best-seller”, Diane Kress é uma nutricionista e educadora em diabetes com mais de 30 anos de experiência em redução de peso, síndrome metabólica e diabetes tipo 2. Atualmente ela é proprietária e diretora do consultório particular de nutrição “O Centro de Nutrição de Morristown”.

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