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DIABETES E ADOÇANTES ARTIFICIAIS: VOCÊ PRECISA?

usar ou nao adocantes
Dr. César Giral
Escrito por Dr. César Giral

Se você está tentando reduzir o consumo de açúcar em sua dieta diária, você provavelmente já pensou em usar adoçantes artificiais como substitutos. Hoje em dia há muitos alimentos e bebidas apresentados como “sem açúcar”, “diet” ou “de baixa caloria”, onde 9 de cada 10 destes produtos têm sucralose ou aspartame como o substituto do açúcar .

Vejamos, por que temos tanto desejo pelo sabor doce?

Comer não é somente um ato primitivo para satisfazer a fome. Além de propiciar prazer físico, é uma ação que tem valor simbólico e emocional na vida de um ser humano. O sabor doce, por exemplo, teve uma função importante na evolução por ser um alimento rico em energia, o que era necessário para sobreviver.

Por este motivo, os humanos desenvolveram uma preferência instintiva pelo sabor doce ao invés do sabor amargo, este último associado com substâncias irritantes ou venenosas. O gosto pelo doce é típico em primatas e outros animais mais evoluídos, o que curiosamente, não ocorre com os felinos.

Claramente, nós temos uma preferência natural por doces. Historicamente, açúcar e mel têm sido usados para adoçar alimentos e bebidas, mas ao longo dos anos, o desejo de proporcionar doçura junto ao desejo de controlar o peso, tem levado ao desenvolvimento de uma vasta diversidade de adoçantes artificiais.

Estas substituições vêm sendo utilizadas de maneira segura por mais de 130 anos. O primeiro adoçante não calórico, a sacarina, foi descoberta acidentalmente em 1879. O químico alemão Constantin Fahlberg, ao fazer um estágio em um laboratório na Universidade John Hopkins, percebeu um doce sabor incomum em sua comida, depois de trabalhar no laboratório. Esse sabor foi atribuído a uma substância que estava nos dedos de Fahlberg, após uma série de testes químicos nos quais ele havia trabalhado, e finalmente a substânciafoi batizada de “Sacarina” (do latim saccharum, açúcar, comercialmente conhecido hoje como Sweet N Low®). Outras substâncias foram descobertas e comercializadas desde então. Os mais populares são o Aspartame (NutraSweet®, Equal®), a Sucralose ( Splenda®) e, muito recentemente , um composto químico derivado das folhas da planta Stevia, nativa do Paraguai, comercialmente conhecido como Truvia® e PureVia®.

Todos estes produtos têm sido fortemente analisados para determinar se o seu uso está relacionado a potenciais problemas de saúde. As principais agências mundiais que regulam o uso de adoçantes artificiais, tais como o Food and Drug Administration (FDA) nos Estados Unidos e órgãos reguladores da União Europeia não têm relatado nenhuma evidência científica que comprove que os adoçantes têm alguma relação com problemas de saúde como o câncer. Os estudos mais importantes dos últimos 40 anos indicam que seu uso é seguro em quantidades determinadas como “consumo máximo diário”.

Adoçantes artificiais podem ser uma ótima alternativa a considerar para controlar o peso, no entanto, não são produtos mágicos e seu uso com moderação é o segredo. Muitos dos alimentos que são qualificados como “sem açúcar” podem fornecer quantidades significativas de calorias em gordura, e consumi-los em excesso não contribui para o controle do peso. Além disso, alimentos rotulados como “dietéticos” tendem a ser mais processados e não tem os mesmos benefícios para saúde que os alimentos crus, que não foram processados.

Em resumo, os adoçantes são elementos importantes a considerar para aqueles que buscam uma alimentação mais saudável. A sua presença não traz benefícios significativos a nossa dieta, a menos que seu uso seja parte de um plano que une alimentação saudável e um estilo de vida ativo, com prática regular de atividade física.

“Que seu medicamento seja seu alimento, e que seu alimento seja seu medicamento.” – Hipócrates.

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Sobre o autor

Dr. César Giral

Dr. César Giral

Cirurgião Oftalmologista, Defensor do Diabetes, Executivo de New Mídia e Entusiasta em Mídia Social. Como cirurgião profissional por mais de 20 anos, Cesar escreve seus artigos com um olho clínico e nos fornece informação profissional e atualizada sobre o diabetes.

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