Diabetes tipo 1 Diabetes tipo 2 EMOÇÕES SAÚDE

A INFLUÊNCIA DA NEGAÇÃO NO CONTROLE DO DIABETES

nao negar que tem a doenca
Dra. Maritza Bendayan

A mente humana tem um mecanismo de defesa primitivo, o qual nega qualquer realidade que nos provoque estresse. A negação é um mecanismo de defesa relativamente simples e comum.

Realidades dolorosas e ameaçadoras não são reconhecidas, ou nos recusamos a acreditar que os eventos que nos ameaçam tenham ocorrido. Este mecanismo de defesa é comum em pessoas que bebem, nos dependentes químicos, anoréxicos e é comum também em pessoas com diagnóstico de uma doença crônica como o diabetes. Por exemplo: eles podem pensar, “eu não posso ter uma doença que vai me afetar para o resto da minha vida”.

A negação pode servir como um mecanismo valioso, como por exemplo, quando negamos uma má notícia, isso evita nos deixar cair em depressão, que às vezes nos incapacita de agir. O curso normal nessas condições é ir saindo disso gradualmente, aceitando aos poucos a informação, em um ritmo em que a pessoa consiga lidar e aceitar.

Se você puder aceitar os diferentes aspectos do Diabetes, então, os ajustes poderão ser feitos de forma gradual. O diabetes é controlável, mas somente se tiver os cuidados necessários. Se os cuidados não forem tomados a tempo, podem aparecer complicações debilitantes mais tarde.

A negação também pode ocorrer mais tarde, quando você se cansa de seguir todas as rotinas necessárias para controlar a doença. Quando você começa a perder consultas médicas ou diminui a atividade física e começa a comer de forma descuidada e descontrolada, não verificando os níveis de glicose dos alimentos.

A exaustão e a negação chegam a um mesmo resultado: cuidado negligenciado. A diferença entre as duas reações emocionais é o momento em que são alcançados.

Outras vezes, a pessoa com diabetes pode não ter nenhuma das duas reações, mas age como se soubesse tudo o que é certo, e acaba se deixando dominar por seu desejo. É o eterno conflito entre Apolo e Dionísio, o famoso dilema mitológico entre a mente e o coração, que raramente querem a mesma coisa. Os momentos de fraqueza como estes fazem parte da natureza humana. Mas você tem que seguir em frente e aceitar a realidade.

Ainda, acontece que em outras vezes, no momento do diagnóstico a pessoa não recebe as informações corretas. Não faz as perguntas necessárias para as pessoas que conhecem melhor o assunto, e podem pensar, por exemplo, que devem utilizar a insulina, sem saber que isso só é necessário para quem tem diabetes tipo 1, e uma minoria de pessoas com diabetes tipo 2. O segredo aqui é a informação.

Eles também podem se sentir desencorajados se não puderem alcançar 100% de sua meta. Como explicado por Tom Gray, do Joslyn Diabetes Center, Universidade de Harvard “Cuidar bem do Diabetes não significa ser “perfeito”.” Se você ocasionalmente se perdoar por uma oscilação da glicose, isso irá aliviar o estresse associado à tentativa de atingir a perfeição, e provavelmente, você atingirá mais recompensas com este tipo de atitude.

É importante entender que o diabetes é uma constante em nossa vida, por isso daremos sugestões sobre como combater este desafio:

1. Crie e mantenha um plano para sua saúde, incluindo metas que você sabe que são importantes.

2. Seja gentil com você mesmo e entenda que leva tempo até atingir seus objetivos.

3. Peça ajuda para permanecer na linha. Peça ao médico que trata seu diabetes, nutricionista ou psicólogo comportamental ajuda para aprender a mudar seu estilo de vida. Juntos, podemos encontrar soluções.

4. A Associação Americana de Diabetes (American Diabetes Association) sugere que devemos convidar os amigos e a família para se juntar a nós. Converse com eles sobre como podem ajudar a cuidar de seu diabetes. E, se você quiser imitar os seus hábitos saudáveis, melhor ainda.

comments

Sobre o autor

Dra. Maritza Bendayan

Dra. Maritza Bendayan

Ela é psicóloga clínica, com especialização em psicoterapia cognitivo-comportamental. Possui mais de 30 anos de experiência fazendo parte de equipes multidisciplinares para o gerenciamento de Conduta, Desenvolvimento e Neurociência Infantil; Endocrino-pediatría, controle do Diabetes e Obesidade.

2 Comentários

    • Olá, Rita!
      Realmente sabemos que não é uma tarefa fácil mudar nossos hábitos. Deixar de fazer coisas, ou melhor, principalmente comer coisas que estamos acostumados a uma vida inteira. O que podemos te dizer é: Não pense nisso como um castigo! Não tente negar a situação! O negócio é levantar a cabeça e seguir adiante, mudando seu estilo de vida aos poucos, fazendo trocas e escolhas mais saudáveis. Pense nesta sua condição atual como uma mudança para garantir sua saúde, independente de ter diabetes ou outra condição especial qualquer. Todos nós, com enfermidades ou não, deveríamos pensar dessa maneira… Alimentação saudável, atividade física, bem estar… e se eventualmente der uma escapainha, não condene a você mesma!! Tenha a esperteza de dar a volta por cima e seguir na sua vida saudável no dia seguinte. Se você não está conseguindo fazer estas mudanças sozinha, procure ajuda de um médico e/ou nutricionista!! Não perca tempo!!! Sua saúde e bem estar estão em jogo!!! Cuide-se!!!

Adiciona um comentário